Projeto acriano investe R$ 128,1 milhões até 2018
No Ministério da Agricultura, o SIF 2524 tem identidade: Dom Porquito, o primeiro empreendimento agroindustrial do segmento no Acre com capacidade de exportar carne de porco. O projeto do governo do Acre foi concluído e será inaugurado nesta segunda-feira com presença do ex-presidente Lula e vários governadores da região.
Há 11 produtos disponíveis no mercado local (entre cortes específicos e defumados) feitos pela bandeira Dom Porquito que assina as marcas Mr. Pig, Sabbor e Refinatti. O projeto tem participação do Governo do Acre (por meio da Agência de Negócios do Acre), capital privado e pequenos produtores.
De acordo com a Agência de Negócios do Acre, já foram investidos R$ 85,1 milhões no projeto, desde que foi criado em 2012. A previsão é de que outros R$ 43 milhões sejam aplicados até 2018.
Mas, por que investir em setor primário no Acre? A resposta pode estar bem ao lado. Os cotistas da Dom Porquito e os técnicos do Governo têm dois focos imediatos no comércio da carne suína: Bolívia e Peru.
São dois países pobres (em algumas regiões miseráveis até). Mas, há um fato que não pode ser desprezado: esses dois povos consomem carne de porco. E a demanda está aumentando.
A Bolívia, por exemplo, tem na carne de porco o segundo produto na pauta de importação com demanda anual de US$ 3,9 milhões em 2013. Em 2010, era de apenas US$ 583 mil.
Não são número tão expressivos comparados a outras regiões do Brasil, mas o que é preciso observar é a tendência de aumento na demanda. E é fundamentado nessa expectativa que os investimentos são feitos.
Peru_ O Peru é um mercado mais delicado. É uma das economias mais atraentes do Cone Sul para o capital estrangeiro e concretizou, em outubro deste ano, formação de bloco econômico integrado por Estados Unidos, Japão e mais 9 países, o gigantesco Tratado de Livre Comércio Trans Pacífico, a resposta norteamericana à China.
Esses tratados dificultam a consolidação de empresas que não fazem parte do bloco. É possível, por exemplo, que os Estados Unidos e Peru resolvam derrubar a zero qualquer barreira alfandegária em relação à carne suína. Se isso acontecer fica mais difícil para a empresa acriana.
O Peru mesmo já produz carne suína. Em 2012, a produção foi de 121 mil toneladas. O que é pouco para uma demanda interna de 4,5 Kg per capita. Quais fatores podem ser favoráveis à conquista de parte do mercado peruano pela Dom Porquito?
As 600 fazendas de médio e grande porte do país estão localizadas na região costeira e não no interior do país (2 milhões de cabeças de suínos). Na área de floresta, a produção está limitada a três ou quatro cidades.
Outro ponto favorável à Dom Porquito: produção de milho. O Peru produz 30% das 3,2 milhões de toneladas consumidas anualmente. Na prática, o país fica à mercê do mercado internacional. Essa limitação, inclusive, já chamou atenção de produtores de milho do Acre que iniciam 2016 com exportação de milho triturado para cooperativas peruanas.
Neste sábado, o site agazeta.net publica segunda matéria sobre o empreendimento Dom Porquito e o cenário do comércio de carne suína na região.


