Até fim do ano, 150 famílias serão despejadas
Proprietários de uma área de terra invadida no município de Senador Guiomard ganham a primeira ação de reintegração de posse. Até o final do ano, 150 famílias da comunidade Chico Paulo II podem ser retiradas por força judicial, devido à falta de pagamento dos lotes invadidos no ano de 2010.
Dona Raimunda acompanhou com tristeza o cumprimento do mandado de reintegração de posse. Aos poucos, ela viu o pequeno barraco cair, devido à força de uma decisão judicial.
Sem ter condições de pagar pelo lote residencial, com prestação mensal de R$ 100, a mulher de 50 anos de idade, desempregada, não tem agora onde morar. “Não sei. A gente vai atrás de uma casa pra alugar. Mas não tenho condições de pagar, só ganho R$ 100 do Bolsa Família”, disse Raimunda.
Raimunda morava com mais cinco pessoas na casa de madeira. O único complemento à renda da família era a pequena criação de galinhas. O terreno de 12 metros por 30, na comunidade Chico Paulo II, município de Senador Guiomard, a mulher comprou de um invasor, por R$ 1,5 mil, mas após dois anos, os proprietários da área entraram na Justiça.
A área com extensão total de 11 hectares foi cortada em 363 lotes e para evitar briga judicial, os donos resolveram negociar com os invasores, parcelando cada terreno.
Cerca de 300 pessoas estão com parcelas em atraso. De acordo com o contrato, após três meses sem pagamento, os lotes retornam aos proprietários. Contudo, até agora, apenas Raimunda foi prejudicada, por que perdeu prazo de defesa. Os demais ocupantes entraram com recurso.
Além de não contar com apoio judicial, ela lamenta não ter conseguido o dinheiro suficiente para quitar a dívida. “Fui até Porto Velho pra conseguir o dinheiro com parentes. Vai entrar na minha conta na próxima segunda. Eram R$ 8 mil. Ele deixou por R$ 6 mil, mas agora não quer esperar mais”, explica.
Um dos proprietários da área, Telson Camilo Vieira, acompanhou a reintegração de posse. De acordo com ele, a ação veio após várias tentativas de negociação. “Tudo que foi acordado na justiça eu cumpri até hoje. Sempre deixei na mão da Justiça. Tem gente aqui com 36 parcelas em atraso e só agora eu estou cumprindo mandado”, disse.
Até o final do ano, os proprietários da terra pretendem requerer a posse de 150 lotes que também estão com pendência de pagamento.


