Maioria das obras é para pequenos comércios
Há quase um ano e meio, a primeira família ocupava uma casa na Cidade do Povo. No início, as unidades tinham um padrão definido e mais um espaço destinado ao terreno. Com o passar do tempo e com novos moradores, o cenário foi mudando.
As residências agora foram modificadas ou até expandidas com áreas, pontos comerciais, igrejas, e até outros cômodos. E as construções feitas pelos próprios moradores não param.
Em cada rua, há um pequeno canteiro de obras. Mas, para a comunidade local aumentar os espaços do imóvel, é preciso uma série de licenças e recomendações por parte dos órgãos públicos.
Eliene Moura, por exemplo, saiu do bairro São Francisco para ir morar na Cidade do Povo. Na antiga moradia, ela sustentava a família com uma mercearia. Quando se mudou, não teve jeito, a mulher resolveu fazer o comércio novamente.
Mas, ela já foi avisada que poderá perder a construção. “É o ganha pão dos meus filhos. O salário do meu esposo não vai sustentar nossa família. Tinha que fazer”, disse Eliene Moura.
Situação parecida é a do proprietário de um imóvel que não quis se identificar. Ele chegou a conseguir autorização para fazer uma área, mas foi impedido de construir outro quarto.
Inconformado, o homem fez o que estava nos planos, mas corre o risco de ter que desfazer o local. “Eu tirei a licença dessa área pra construir, mas daí eu aumentei um pouco. Vieram aqui dizer que não podia e iriam derrubar. Eu acho que se você ganha uma casa, ela deveria ser sua, se você tem uma casa pros outros mandarem não adianta”.
A média de tamanho das casas na Cidade do Povo é de 46 m². E com o terreno chega a 200 m². Cada morador pode construir até 70% deste tamanho. O secretário Estadual de Habitação, Jamyl Asfury, disse que as construções não estão proibidas, mas é preciso passar por uma análise da prefeitura para saber o tipo de edificação e as normas de engenharia e arquitetura.
“Quando você pega uma casa de quarenta e seis metros quadrados, você pode fazer a ampliação de um quarto, dois quartos, uma área. Tudo isso é permitido, desde, que se tenha o acompanhamento de um profissional tanto o arquiteto, quanto o engenheiro”.
Isso evitaria, segundo o secretário, casos como o que foi mostrado na TV Gazeta, quando um casal teve parte da casa danificada em decorrência de uma chuva no domingo. O local era improvisado e foi construído dentro do terreno de uma terceira pessoa.
Hoje há 2,7 mil unidades ocupadas na Cidade do Povo. As construções feitas após a entrega dessas casas deverão passar por uma análise e, caso seja comprovadas irregularidades em sua estrutura, esses espaços serão demolidos ou refeitos.


