A prática cristã próxima das pessoas mais simples
Padre André Ficarelli morreu no fim da manhã desta quinta-feira. Nascido na Itália, ele tinha 92 anos e veio para o Acre em 1950 como integrante da congregação Servos de Maria. Ele morreu em casa, acompanhado dos médicos que lhe atendiam nos últimos anos. “Morreu em consequência da velhice e tinha muitas complicações em decorrência disso”, afirmou o padre e amigo Massimo Lombardi.
Ficarelli projetou e acompanhou cada detalhe da construção da Catedral Nossa Senhora de Nazaré, a principal referência da arquitetura católica na Capital. Nos últimos anos, arriscou-se nas letras e escreveu um livro.
O Padre Massimo Lombardi chegou a publicar em sua página no facebook uma breve homenagem além de anunciar o local onde o corpo do Frei será velado. “O padre André Ficarelli viajou para a Casa do Pai. O corpo será velado na Catedral a partir das 16h de hoje [quinta-feira]”.
A missa de corpo presente será celebrada nesta sexta-feira a partir das 15h.
Padre André Ficarelli tornava a defesa do cristianismo menos panfletária do que gostaria a esquerda. As missas celebradas por ele necessitavam de atenção. Com voz calma, ele criticava duramente a postura dos “cristãos que não se dedicavam á causa de Cristo”.
A maior parte das pessoas relaciona a atuação do Padre André à construção da Catedral. Mas, essa não foi a maior obra dele. A voz calma para um sangue italiano, por vezes deixava transparecer alguma natureza ranzinza. Foi justamente a aproximação da prática cristã das pessoas mais próximas que torna a passagem de Ficarelli marcante pelo Acre.
Enquanto Dom Moacyr atuava na ceara mais politizada da Igreja Católica, Ficarelli preferia os caminhos mais tortuosos dos conflitos individuais. No entanto, a homilia (para quem era atento ao que ele dizia) era dura com todos. Não que ele desprezasse a política. Participava também das CEB’s. Mas, o que ele gostava mesmo era da conversa íntima. Era aí, nos momentos mais íntimos, que as falhas encontravam um pastor pronto a cuidar do cristão.
A referência era o Cristo: quem saísse dessa linha, era criticado: seja o cidadão mais simples, seja senador, governador, presidente. Ele não poupava. A evangelização executada por ele exigia uma seriedade e um comprometimento incomuns.
“Ele se inseriu de modo progressista na situação do Acre no período de Ditadura Militar, sempre engajado nas lutas sociais dos acrianos, ele foi um frade exemplar inspirou toda uma juventude da minha época e também da sua ordem”, afirmou o secretário Nilson Mourão, um político que iniciou o trabalho de mobilização política nas Comunidades Eclesiais de Base nos anos 70.


