Há uma loja no Acre autorizada a vender fardamento
Após a prisão dos acusados de assaltar um comerciante na Vila Acre, trajados com farda da Polícia Militar, outros problemas ficaram expostos. O empresário alvo dos bandidos questiona a ousadia dos criminosos e a falta de segurança. Por outro lado, os policiais denunciam que faltam fardas e que elas podem ser adquiridas com facilidade no comércio autorizado.
O comerciante João Weber está traumatizado. No último domingo, bandidos entraram em sua propriedade fardados de policiais militares e o assaltaram. “Eles me chamaram no portão e fui atendê-los porque disseram que queriam falar comigo. Fui recebê-los. Com farda, boné, pistola pendurada do lado, que nem polícia mesmo (sic)”, relata.
Segundo a vítima, os criminosos estavam sob efeito de drogas e chegaram a disparar um tiro no escritório onde procuravam o dinheiro. A situação para a família foi aterrorizante.
O empresário investiu em um grande prédio que ainda está em construção. O mercado foi aberto há apenas 4 meses e diante do medo, João pretende arrendá-lo e ir embora do Estado. “Pagamos imposto alto, damos emprego as pessoas e cadê nossa segurança? Tá onde?”.
Segundo o comerciante, pelo menos 5 pessoas participaram do crime. Apenas dois foram presos. Os criminosos levaram R$ 32 mil, e o dinheiro ainda não foi recuperado. Segundo a polícia, os assaltantes agiam na região da Vila Acre, roubando residências e comércios.
Com os presos detidos no início da semana, também foram apreendidos 2 coturnos, duas calças e três blusas, peças que compõem o uniforme militar.
Segundo o assessor jurídico da Polícia Militar do Acre, Coronel Luciano Dias, não é a primeira vez, que bandidos são presos com uniformes da corporação. De acordo com ele, o caso também será investigado pelo setor de inteligência da PM. “Como há furto de armas, motos, carros, também há registros de casas de policias que foram invadidas e armas e coletes foram roubados”, disse
Além da exposição sobre a necessidade de segurança aos comerciantes da Capital, a prisão dos assaltantes com uniformes da PM também levanta outros problemas, como a falta de fardas na corporação e até o acesso facilitado a elas, no mercado local.
Nossa equipe conversou com um policial que pediu para ter a identidade preservada.
Ele revelou que em 6 anos na PM só ganhou do Estado dois uniformes. Um quando ingressou no curso de aluno soldado e outro no ano passado. Segundo o PM, essa situação tem obrigado os militares a comprarem o próprio uniforme.
Em Rio Branco existe apenas uma malharia autorizada a produzir as fardas. Contudo os policias afirmam que não há burocracia para adquirir o produto exclusivo.


