Na reta final de 2025, o Acre registra mais um caso de violência extrema contra a mulher. Maria da Conceição Ferreira da Silva Lima, de 46 anos, foi encontrada morta dentro da própria casa, no loteamento Jardim São Francisco, região do Panorama, parte alta de Rio Branco. O corpo foi localizado pela própria filha da vítima, que foi até a residência para visitá-la.
De acordo com informações da Polícia Militar, a filha chegou ao imóvel, localizado na Rua Majestade, e percebeu que a porta dos fundos estava aberta. Ao entrar na casa, encontrou a mãe caída ao lado da cama, completamente ensanguentada e já sem vida. Próximo ao corpo havia uma faca de grande porte, possivelmente utilizada no crime.
Mesmo em estado de choque, a filha ainda conseguiu acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Uma ambulância de suporte avançado foi enviada ao local, mas a equipe apenas pôde constatar o óbito de Maria da Conceição.
O principal suspeito do crime é Antônio José Barbosa, de 54 anos, namorado da vítima. Segundo a Polícia Militar, ele era monitorado pela Justiça por meio de tornozeleira eletrônica e possui passagens anteriores pela polícia, inclusive por homicídio. Ainda conforme as informações levantadas, o suspeito teria rompido a tornozeleira por volta das 4h da madrugada de sábado e fugido do local.
O crime teria sido descoberto no início da tarde do mesmo dia, por volta de 13h30, quando a filha foi até a casa da mãe. Desde então, Antônio José é considerado foragido.
A ocorrência foi atendida por equipes do 3º Batalhão da Polícia Militar, que isolaram a área para os trabalhos da perícia técnica, realizada pelo Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC). O caso está sob investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pode contar com o apoio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), já que a principal linha de investigação aponta para feminicídio.
Com a morte de Maria da Conceição, o Acre chega a 14 feminicídios consumados em 2025, número que iguala os piores anos da série histórica, registrados em 2016 e 2018. Os dados consideram ocorrências registradas entre janeiro e o dia 13 de dezembro deste ano.
Além dos assassinatos motivados por gênero, o estado contabiliza cerca de 5 mil registros de violência doméstica, evidenciando um cenário persistente de agressões, muitas delas ocorridas dentro do ambiente familiar.
Especialistas apontam que a repetição desses números ao longo dos anos revela fragilidades nas políticas públicas de prevenção e proteção às mulheres, sobretudo em casos envolvendo reincidência criminal e descumprimento de medidas judiciais, como o monitoramento eletrônico.
A Polícia segue em diligências para localizar e prender o principal suspeito. O caso deixa ainda mais urgente o alerta para a gravidade da violência contra a mulher no Acre e a necessidade de ações mais efetivas para impedir que novos crimes ocorram.
Canais de Ajuda
O acolhimento da vítima é essencial para romper o ciclo de violência e desvincular-se do agressor. É fundamental contar com uma rede de apoio, que pode incluir familiares e amigos, além de serviços especializados que oferecem assistência jurídica e psicológica.
As vítimas podem procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) pelo telefone (68) 3221-4799 ou a delegacia mais próxima.
Também podem entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher, pelo Disque 180, ou com a Polícia Militar do Acre (PM-AC), pelo 190.
Outras opções incluem o Centro de Atendimento à Vítima (CAV), no telefone (68) 99993-4701, a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), pelo número (68) 99605-0657, e a Casa Rosa Mulher, no (68) 3221-0826.
Com informações do repórter Luan Rodrigo para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net


