Agricultores estão há quase um ano acampados
Famílias de posseiros retiradas pela Justiça de uma área na fazenda Vista Alegre, a sete quilômetros de Rio Branco na estrada de Porto Acre, continuam acampadas na margem do ramal vivendo em condições insalubres.
As 50 famílias montaram barracos com restos de madeiras e cobertos de palha. A maioria está doente, principalmente as crianças. Todos os dias aparecem novos casos de doenças de pele e diarreias.
A água do consumo vem de açude cheio de lama e dejetos. O liquido, retirado em balde e usado para fazer comida e matar a sede, está contaminado. Um cachorro bebia a água enquanto uma criança, ao lado, dividia o mesmo espaço.
A produtora Marilda Souza disse que a filha está internada por causa das condições em que ela vive. “Agora mesmo estou sem água no meu barraco. Se eu quiser vou ter que consumir aquela água suja”, relatou.
As famílias vivem essa realidade há sete meses. O drama começou em dezembro do ano passado quando uma ordem judicial de reintegração e posse determinou que elas saíssem das propriedades. Alguns produtores estavam há 20 anos no lote e viviam como posseiros.
Segundo o posseiro José Evaldo Guedes, as famílias perderam tudo, já que a roça foi destruída e não puderam tirar os poucos bens que tinham. “É inacreditável o que fizeram com a gente. Não tivemos direito nem de buscar nossos animais. Eu fiquei sem nada”, reclamou.
Com um mapa da área, os produtores tentam mostrar que tinham direito à terra. Segundo Rosimilson Ferreira, em 2013, um grupo de sem terra invadiu alguns lotes, quando a ordem judicial para reintegração chegou. Isso afetou também os posseiros que foram tirados pela policia. “Houve um equívoco da Justiça que aproveitou a retirada dos invasores e colocou nossos lotes na mesma relação”, revelou.
Sem ter para onde ir, as famílias se alojaram à margem do ramal nas condições mais insalubres. O banheiro é no mato. Por trás dos barracos se formou um grande esgoto. As crianças vivem nos hospitais e postos de saúde.
As famílias já avisaram que vão continuar morando no local até que o poder público possa buscar uma alternativa.





