Nesse período, nem ramal, nem a escola prometida
Em protesto por Educação e melhoria da infraestrutura do Ramal do Joca, famílias da comunidade rural Raimundo Amâncio bloquearam a Estrada Transacreana. Os manifestantes pedem a manutenção do ramal que está em péssimas condições e também reivindicam a construção de uma escola na comunidade. As crianças precisam caminhar longas distâncias para estudar, enfrentando perigo no trajeto.
A Estrada Transacreana foi bloqueada por volta das 8:30 da manhã. A partir daí, nenhum caminhão, carro ou moto passou. Com pneus e pedaços de madeira, os moradores da comunidade Raimundo Amâncio fecharam a rodovia para reivindicar melhorias ao ramal do Joca e também a construção de uma escola na região.
Irredutíveis, os manifestantes pediam a presença de um representante da prefeitura, que garantisse os benefícios que a comunidade precisa. “O nosso ramal fica intrafegável. Tiramos idosos e crianças doentes puxados em redes nas costas. A maioria das famílias é de produtores e não adianta plantar por que não tem ramal que dê acesso para retirar o produto”, explica a moradora Lins Nascimento.
Duas horas depois, um porta voz do executivo municipal esteve no local. Ele se comprometeu a dar consequências práticas às reivindicações e renovou compromisso com a comunidade.
Segundo os moradores, há um ano foi acordado com o poder público que as pendências de acesso e educação seriam resolvidas, mas nada foi feito. Esta é a primeira vez que os populares fecham a estrada, na tentativa de forçar uma medida eficaz que atenda às cerca de 30 famílias que residem na comunidade rural.
A Educação e o acesso estão interligados. As crianças não são beneficiadas por transporte escolar por que o ramal não oferece condições. Quando chove, formam-se atoleiros, quando seca, o acesso fica comprometido por valetas.
Por isso, as crianças caminham longas distâncias, correndo riscos, para poder estudar. “Eles precisam andar muitos quilômetros, atravessam rio sem barco adequado, sem colete, é um perigo todo dia. Já encontraram cobra no meio do caminho”, disse a mãe Cristina Guerreiro.
Rosineide Lima não tem coragem de mandar a filha menor para a escola. Os mais velhos, segundo ela, sofrem para não ficar sem educação. “Uma das minhas filhas já chegou a desmaiar de fome. É muito tempo pra ir e vir e chegam quando é noite em casa”, disse. Segundo o secretário de Educação de Rio Branco, Márcio Batista, ainda não é possível garantir a construção de escola na comunidade Raimundo Amâncio, mas, de acordo com ele, outras providências imediatas podem ser tomadas para atende aos estudantes. “Podemos trabalhar lá com o programa Asinhas da Florestania, com professores ministrando aula na própria comunidade para crianças de 4, 5 anos. Para as outras idades vamos estudar a situação que compete ao município”, afirmou.
A assessoria do Deracre, por telefone, disse que a direção do departamento não havia sido comunicada do manifesto, mas que está à disposição dos moradores para uma conversa.
Também foi informado que o Deracre pretende este ano, em parceria com as lideranças comunitárias, selecionar os pontos mais críticos dos ramais para iniciar recuperação.


