Amparo aos soropositivos pode ficar comprometido
A Agá e Vida, instituição que há 19 anos ajuda e orienta pessoas infectadas pelo HIV, corre o risco de fechar as portas. Sem ajuda financeira, a entidade não tem estrutura para atendimento e, para piorar o quadro, a União está pedindo de volta a sala onde o Agá e Vida funciona. É que o prédio onde fica a pequena sala será demolido.
Bastar olhar as condições físicas da entidade e suas dificuldades. A porta e as janelas estão quebradas: a parede exala um cheiro forte de mofo por causa das infiltrações; as mesas e materiais da instituição ficam misturados; o veículo é de 2003 e está parado precisando de uma bateria. Não existe privacidade na hora do atendimento. O atendente, na maioria das vezes, pede para que as outras pessoas saiam da sala para poder conversar com quem procura ajuda e não quer se expor.
A falta de estrutura tem espantado os portadores do HIV. Há dois anos eram quase 200 pessoas atendidas pela instituição, o número caiu para 118 no início desse ano, e, atualmente, segundo a coordenadora Janete da Silva, são apenas 50.
A própria Janete faz um trabalho voluntário, mas está perdendo as forças porque não recebe ajuda. “Estamos sem nada praticamente, até as doações que vinham da Justiça acabaram. Estamos sobrevivendo graças a um pequeno repasse do poder público”, reclamou.
Mesmo com toda a precariedade de estrutura, a sala no prédio da União é o único local disponível para a entidade. E agora, pode ficar sem teto.
A coordenadora Janete disse que existe uma promessa do Governo do Estado de conseguir uma sala quando o prédio da CADES, no centro da cidade, estiver reformado. Só que o problema persiste. Com apenas uma sala o Agá e Vida vai continuar tirando das pessoas infectadas o direito de não se expor.
“No prédio, vão funcionar outros órgãos, e muito soropositivo, com medo do preconceito, não gosta de mostrar a cara”, disse.
A Agá e Vida tem uma grande importância social. Portadores do HIV recebem todo o atendimento e orientação que precisam para buscar o medicamento e a socialização. A entidade também tem programas preventivos e é um alento a quem precisa de ajuda, mas, tem medo da reação da sociedade.


