Célio responde pelo primeiro caso de feminicídio no Acre
O homem que matou companheira em Sena Madureira com mais de 18 facadas se entregou. O delegado ouviu o agressor nesta quarta-feira (19) em Rio Branco. Ele não ficou na cidade temendo a reação da população, mas vai retornar conduzido ao presídio da região.
O crime é o primeiro caso de feminicídio do Acre, após a sanção da lei que agravou a penalidade do homicídio praticado contra a mulher.
Após cinco anos de violência doméstica, Ocineide Menezes (34) foi morta pelo companheiro, Célio Silva Cunha (32), com pelo menos 18 perfurações de faca. A perícia também identificou muitos riscos pelo corpo, inclusive nas mãos, um sinal de que ela tentou se defender das agressões. A vítima deixou quatro filhos, nenhum do atual marido.
O crime causou comoção em Sena Madureira. Além da forma brutal com que a vítima foi morta, a população se revoltou com o fato de a filha dela, de apenas 11 anos, ter testemunhado tudo. O agressor preferiu se entregar na Capital com medo da reação popular.
Sob orientação do advogado, Célio Cunha preferiu manter-se em silêncio e apresentou-se espontaneamente, numa tentativa de ser liberado, mas já havia contra ele, um mandado de prisão.
“Ele tentou uma manobra de defesa para ficar em liberdade enquanto não fosse julgado. Mas quando se apresentou foi dado voz de prisão e ele está preso preventivamente”, explicou o delegado Remolo Diniz, coordenador da região Purus.
Este foi o primeiro caso de feminicídio registrado no Acre. A nova lei promulgada em março, mês da mulher, alterou o Código Penal para incluir mais uma modalidade de homicídio qualificado: quando o crime for praticado contra a vítima por razões da condição de sexo feminino.
Com esse agravante, Célio pode pegar de 12 a 30 anos de prisão. “Agora com a evolução jurídica ele vai responder por um crime que é hediondo e grave”, completou o delegado.
Célio já foi preso por homicídio em outra circunstância. Ele também respondeu pelo crime de cárcere privado. Segundo testemunhas, Ocineide era agredida com frequência. No entanto, não há registros em nenhuma delegacia de denúncia da vítima contra o companheiro.


