Instituto aponta mais de 200 milhões de toneladas
É preciso reconhecer: o setor agrícola do Brasil não encontra paralelo em qualquer outra atividade econômica. O IBGE acaba de tirar do forno nova constatação: a projeção da safra de grãos para 2015.
Estima-se que mais de 200 milhões de toneladas sejam colhidas este ano, incluindo aí a “safrinha” (com colheita prevista para junho). Os especialistas vinculados à Confederação Nacional da Agricultura avaliam que a “safrinha” também vai ser histórica.
“Plantou-se muito e choveu na hora certa”, pontua o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, Assuero Veronez, que também responde como vice-presidente diretor da CNA.
Nos últimos 10 anos, a safra de grãos aumentou 62%. Um paralelo que se pode traçar no setor é com a cana de açúcar, que aumentou 66% no mesmo período, apesar do governo: atônito, o poder público mostra-se anestesiado, sem uma política clara para o setor sucroalcooleiro e vê definhando 70 usinas (que estão em recuperação judicial) e 60 que fecharam.
Um número que mostra a absorção de tecnologia e como o agricultor passou a enxergar a propriedade mais como uma empresa do que como herança familiar/afetiva. Trata-se da melhora da produtividade: o aumento da safra está consorciado com a elevação de apenas 19,2% da área plantada.
Veronez não demonstrou surpresa ao saber dos números do IBGE. “Nós estamos crescendo 3% a 3,5% por ano”, contabiliza. “Crescemos, enquanto outros setores estão estagnados ou recuam. Agora, o gargalo vai continuar sendo a infraestrutura. Nós vamos ter problemas para estocar milho, por exemplo”.
O vice-presidente diretor da CNA já adianta a atual discussão que existe na confederação: a possibilidade de utilizar milho como biocombustível, semelhante ao modelo norteamericano. “Essa discussão já está posta e iniciamos um acúmulo de debates nesse sentido”. A safra de milho norteamericana é calculada em 350 milhões de toneladas ao ano. Só de milho.


