Embaixada do Haiti procura familiares
A viagem da haitiana Milourde Rigueur em busca de dias melhores no Brasil terminou antes mesmo que completasse a rota migratória que era chegar a São Paulo. Na manhã dessa terça-feira, o caixão branco na sala de uma funerária marcava o velório mais vazio feito pela empresa de assistência a velórios.
A morte de Milourde, de 27 anos, que ocorreu no domingo, vai ser lembrada como o primeiro caso de um imigrante haitiano que morreu ao chegar ao Acre.
O falecimento da mulher que deixou o marido em outro país, a República Dominicana, se tornou mais trágica em virtude da causa da morte: tuberculose.
A haitiana chegou ao Acre no dia 24 de abril. Durante a viagem e a estadia no abrigo de Rio Branco, teve contato com várias pessoas, inclusive funcionários do Estado, que fazem o atendimento no abrigo.
A tuberculose é altamente contagiosa e pode ter infectado outros imigrantes. Mesmo com todo esse risco e a morte da haitiana, nenhuma medida protetiva foi tomada pela secretaria de saúde.
Nessa terça-feira, nenhuma equipe apareceu no abrigo. No local as mesmas cenas: fila para tirar a carteira de trabalho e para pegar a comida. Ao todo, 900 imigrantes sendo 700 haitianos brigam pelos espaços e contam com a sorte em conseguir uma passagem e um emprego em São Paulo.
Segundo o coordenador do abrigo em Rio Branco, Antônio Crispim, a imigrante morta não apresentava sintomas da doença quando chegou ao Estado, mas pode ter chegado no Brasil com a tuberculose. Na semana passada, sentiu-se mal e foi levada para uma unidade de saúde. Como o quadro era crítico foi levada ao pronto socorro, onde faleceu.
A secretaria de Direitos Humanos já entrou em contato com a embaixada do Haiti para saber onde ficará o corpo. Os funcionários da embaixada mandaram procurar a família. A secretaria tenta o contato com o marido de Milourde, que está República Dominicana.
O Governo do Acre, a pedido da família, talvez seja obrigado a levar o corpo de volta para o Haiti. “Todas as providências estão sendo tomadas para que o corpo tenha o funeral e seja encaminhado para onde a família deseja”, lembrou Crispim.
Há cinco anos o Acre virou porta de entrada de imigrantes haitianos que logo ganhou a adesão de dominicanos e senegaleses.
Como o Governo do Estado deixou de pagar o ônibus para que os imigrantes cheguem a São Paulo, eles estão se acumulando nas apertadas áreas do abrigo.
Atualmente três haitianos estão internados da fundação hospital em tratamento. No início do ciclo migratório o Governo do Estado fazia exames de sangue. No primeiro grupo investigado foram encontrados vários casos de sífilis, hepatites e aids.
Mas, o grupo foi aumentando e ficou impossível fazer os exames. Nem em casos onde ficou comprovada a doença contagiosa, como de Milourde, a secretaria de Saúde tomou alguma medida.
Sobre o problema, a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos soltou a seguinte Nota de Esclarecimento:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
O Governo do Estado do Acre, através da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos – SEJUDH vem de público informar que no dia 04.05.2015 no Pronto Socorro de Rio Branco, veio a óbito a cidadã de nacionalidade Haitiana RIGUEUR MILOURDE, de 27 anos, suspeita de pneumonia, a mesma ingressou no Acre no último dia 24.04.2015.
O Governo do Estado entrou em contato com a Embaixada do Haiti no Brasil onde foi informado que o procedimento de translado é de responsabilidade dos Familiares. A SEJUDH entrou em contato com os familiares que decidirão sob os procedimentos de translado ou sepultamento no Acre.
O Governo do Estado deixa claro que toda assistência necessária está sendo tomada para amenizar este momento de sofrimento para os familiares da Sra. RIGUEUR MILOURDE.
Nilson Mourão
SECRETÁRIO DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS DO GOVERNO DO ACRE


