Fornecimento de medicamentos não respeita direitos
No dia 19 foi celebrado o Dia do Índio. Mas, no Acre, o povo indígena ainda tem reclamado de uma das condições vitais ao ser humano: a Saúde. Hoje, um indígena que estava instalado na Casai quase não pôde dar entrevista, porque foi proibido por uma gestora da Casa de Apoio a Saúde do Índio. Mesmo sob pressão, ele falou com nossa reportagem e denunciou que na casa de apoio falta o básico: higiene.
A Casai passou por uma ampla reforma, mas a reclamação de descaso continua. Talvez seja por isso, que a imprensa tenha tanta dificuldade em mostrar como as coisas realmente funcionam dentro da unidade. Desta vez, o que nos leva até o local são denúncias de falta de medicamentos e más condições de higiene.
Gregório Salomão, da etnia Kashinawá, explicou em detalhes o que vem acompanhando na Casa que serve para acolher os pacientes indígenas em tratamento de saúde na Capital. Ele só veio para Rio Branco porque precisou de um raio x, serviço que não conseguiu onde mora, na região de Santa Rosa do Purus.
Quando nossa equipe chegou à Casai, acontecia uma reunião entre a coordenadora do local e os pacientes. A gestora, conhecida como Cida, falava com o grupo em tom de ameaças. Dizia que “não iria aceitar ser afrontada”.

Disse também que “qualquer ameaça que recebesse seria denunciada à Polícia Federal”. Quando ela soube da nossa presença disse que “ninguém estava autorizado a falar”, nem mesmo o paciente Gregório, que usou o direito de falar e conversou com nossa reportagem. A coordenadora estava nervosa e não sabia sequer o assunto que nos levou à unidade.
O vigilante do local foi repreendido porque autorizou a entrada da reportagem, mesmo sem os equipamentos de gravação. Fomos obrigados a gravar do lado de fora, na chuva, em frente ao prédio, que é mantido por verba pública.
Segundo Gregório, o mal cheiro é terrível nos alojamentos da Casai e os banheiros estão em situação deplorável. Também explicou que os lençóis dos colchões não são trocados com frequência. “Desde quinta-feira quando cheguei vejo o banheiro fedendo, está faltando água. Os lençóis estão há quatro dias sem trocar”, relata.
Sobre a reunião com a coordenadora da Casa, Gregório explicou que o assunto foi a condição de higiene do local e que é básica para uma boa recuperação da saúde. “A saúde está em primeiro lugar e pra isso é preciso higiene”, disse.
O indígena afirma que pacientes e acompanhantes arrecadaram dinheiro para comprar produtos de limpeza, para resolver a situação da falta de higiene.
Também recebemos uma denúncia anônima informando que faltam medicamentos aos pacientes que passaram por cirurgia. Os remédios do pós-operatório deveriam ser fornecidos pela Casai que recebe recursos federais para esse fim.
Diante da falta de diálogo com a direção da Casa, procuramos a Coordenação do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Purus. A coordenadora responsável Jiza Lopes disse que estava em reunião e após iria atender outras pessoas que haviam agendado.


