Flagrantes na relação mobilidade/cidadania
A infraestrutura precária dos bairros e a falta de um programa de mobilidade urbana, aliada à falha de fiscalização, transformam numa via-crúcis o dia a dia do morador de Rio Branco.
Não é fácil para centenas de trabalhadores que usam a bicicleta como meio de transporte atravessar o centro da cidade. A falta de ciclovias faz com que os ciclistas arrisquem as vidas em um “zigue zague” frenético no meio dos veículos.
Para quem perdeu a função de algum membro e precisa de muletas e cadeira de rodas, as dificuldades se multiplicam a cada esquina.
Se no centro da cidade é assim. Nos bairros, a situação é ainda mais desrespeitosa. São várias ruas sem calçadas. A maioria das calçadas foi construída pelos próprios moradores. É comum que veículos fiquem estacionados em cima impedindo a passagem dos pedestres. O site agazeta.net flagrou um caso onde a calçada parece um ferro velho, com tantas carcaças de carros.
Onde foi construída ciclovia, o projeto não funciona como deveria. Na rua principal do bairro Sobral, a falta de fiscalização do poder público, onde deveria passar apenas bicicleta, serve de estacionamento para motos e até depósito de barro.
Quem precisa passar, bem… vai para o meio da rua. O aposentado José Costa disse que a ciclovia não funciona porque a RB Trans e a polícia não fiscalizam. “Não adianta gastar tanto se não posso usar a ciclovia que, além de tudo, está cheia de buracos”, reclamou.
A ciclovia corta as paradas de ônibus. Quando o coletivo para, as pessoas se aglomeram para entrar no veículo. O ciclista é obrigado a parar e esperar os passageiros subirem. Foram registrados vários acidentes de usuários atropelados por bicicletas quando desciam do ônibus.
Em muitas ruas, a mobilidade fica difícil até para quem tem carro. A cidade está tomada por buracos. Alguns chegaram a apartar ruas, como no bairro João Eduardo. Há quatro anos, os moradores da rua C esperam que a cratera seja fechada e a rua volte a ter tráfego.
Em alguns bairros, a falta de calçadas e de ruas fazem com que os veículos fiquem no mesmo espaço de bicicletas e pedestres.
Tem ainda o precário sistema de transporte coletivo que é um gerador de reclamações. Basta parar e ouvir os usuários. A dona de casa Marinete Jarbas disse que perdeu três horas do dia só em paradas de ônibus.
“Todos os dias é esse sofrimento. Muitas vezes estamos na parada e o coletivo vem lotado, o motorista nunca para e a gente vai perdendo o horário”, reclamou.
A infraestrutura de Rio Branco é precária quando se fala em mobilidade urbana. Existem deficiências em todos os setores. A cidade precisaria ser repensada e modificada para atender ao menos o básico. E poderia começar dando manutenção nas ruas e calçadas já existentes.













