Na floresta e zona rural, o professor “faz tudo”
A missão dos professores do Ensino Rural não é nada fácil. Além do baixo salário, eles precisam transpor muitas barreiras para ensinar. No município de Rio Branco, cerca de 50 professores atuam em escolas de difícil acesso, com turmas multisseriadas, ou seja, aquelas onde ficam alunos do primeiro ao quinto ano, em uma única sala de aula.
Esse grupo de profissionais está participando de um curso de formação continuada ofertado pela Secretaria de Estado de Educação (SEE). A capacitação tem o objetivo de assegurar a qualidade no ensino e na aprendizagem.
Segundo a coordenadora pedagógica de Ensino Rural da SEE, Girlane Maura, o desafio de ensinar é maior para os docentes, considerados “faz tudo”. Quem atua na zona rural, precisa fazer desde a parte administrativa até o objetivo fim, que é lecionar.
“A maioria vai da cidade para o campo. Precisa se adaptar, preparar matrículas, o espaço da aula, são responsáveis pela merenda, de garantir o funcionamento de uma escola. Como é uma escola com menos de 100 alunos, não tem uma equipe pedagógica de gestão. Ou seja, o professor acaba sendo aquele que dá conta do pedagógico e do administrativo”, explica Maura.
Há 9 anos, Maria Suely Souza decidiu deixar a cidade para se dedicar aos alunos da zona rural Alto Alegre 2. A comunidade escolar fica na rodovia AC 90, no km 72. Segundo ela, muitos colegas tiveram que abrir mão da família para seguir a profissão.
“Colegas minhas ficam tristes a noite em pensar no esposo e filho que ficaram aqui na cidade. Elas só veem a família aos finais de semana, e têm outros que devido à distância ser maior, só podem vir no final do mês”, explica.
Suely está acompanhada do marido na zona rural. Não sofre tanto pela ausência da família, mas enfrenta outras dificuldades, como por exemplo, chegar até a escola. “Nessa época os ramais estão inacessíveis e as aulas vão começar dia 6. É preciso ir a pé ou a cavalo”, disse.
Mesmo diante de tantas exigências, quanto à produção e à qualidade na oferta do ensino, não é possível para os gestores da Educação ficar de ouvidos fechados diante das experiências compartilhadas pelos professores, que matam um leão por dia, para cumprir com o dever da profissão.


