Assuero Veronez fala sobre exportação de carne suína
A intenção do Governo do Acre de exportar carne suína para Rússia é vista com ressalvas pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, Assuero Veronez. Em entrevista ao site agazeta.net, ele se mostra entusiasmado com a ampliação da base de produção, mas tem cuidado ao falar sobre mercados consumidores.
“Antes de falar em Rússia, temos o mercado andino que são bons consumidores de carne de porco”, pondera Veronez. Ele fala sobre a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, com a intimidade de uma amiga.
Inclusive participa de uma missão ministerial no fim de abril (ou maio) para a Rússia, China e Nova Zelândia para consolidar as relações comerciais do Brasil com produtos estratégicos. Veja os principais trechos da entrevista.
O Acre tem condições de exportar carne de porco para a Rússia?
Eu não vejo, a curto prazo, essa possibilidade.
Por quê?
Por vários fatores. Infraestrutura, capital instalado e localização geográfica são os principais. Santa Catarina e Paraná são estados que têm melhor infraestrutura, têm portos e tradição na produção. E lembro: esses estados têm muita dificuldade de atender o mercado russo.
Que dificuldades?
A Rússia é um dos nossos maiores parceiros no agrobusiness. Mas, são muito instáveis. Não dão segurança a quem produz. Uma hora a coisa está consolidada, mas em outro momento já interrompe o comércio e provoca uma quebradeira geral aqui no Brasil. Há muita instabilidade. A suinocultura vive de altos e baixos.
E o Acre nesse cenário?
Nós estamos iniciando um trabalho. O frigorífico construído pelo Governo em Epitaciolândia é coisa de ponta. Muito bom mesmo. Maquinário da Alemanha, com potencial para exportar. Mas, antes de nós falarmos em Rússia, nós temos o mercado Andino que são bons consumidores de carne de porco e estão próximos a nós. Eles não comem carne de boi. Eles comem porco. Por que não pensar nesse mercado antes de qualquer coisa? Os países andinos são muito mais viáveis. A Rússia é algo muito distante e que exige um conhecimento que nós precisamos acumular ainda.
Qual a capacidade de abate do frigorífico de Epitaciolândia?
Duas mil cabeças ao dia.
E o cenário para quem produz?
O cenário não é dos melhores. Mas, a agricultura tem reagido bem. Mas, o cenário não é bom. Acabo de ser informado que o dinheiro para financiamento pelo Banco do Brasil ao setor foi contingenciado, além do limite do financiamento diminuir.
Isso significa que…
Isso significa que se o banco financiava, por exemplo, 95% de um trator. Agora ele vai financiar 70%.


