Funcionários se arriscam a limpar sem equipamentos
Desde a última segunda-feira (18), funcionários da Escola Estadual Elias Mansour Simão Filho, tentam retirar a lama e os estragos provocados pela cheia do Rio Acre. A unidade de ensino fica no bairro Taquari e uma das regiões com população mais vulnerável à violência da Capital.
A água da enchente recuou do local na semana passada, mas o lixo continua entulhado na rua da escola. Cerca de 700 crianças e adolescentes estudam aqui, mas, no ritmo que a limpeza está, será impossível recebê-los no dia 23, próxima segunda-feira, data marcada para o retorno das aulas. Os poucos funcionários que apareceram para ajudar estão de mãos atadas diante da falta de materiais e tanta sujeira.
Segundo a coordenadora da escola, Rosimeire Nunes, a necessidade de ajuda foi comunicada para a Secretaria de Educação, mas nada foi feito até agora. “O pessoal da secretaria esteve aqui na segunda-feira e prometeu que o carro pipa viria retirar a lama de frente da escola, que levariam a bomba d’água para concertar, e até hoje nada”, reclama.
Para conseguir fazer a limpeza, a equipe da escola teve que emprestar um mergulhão de um vizinho para puxar a água da cisterna, que inclusive se misturou com as águas sujas da alagação. Na escola não há água potável e para piorar, os funcionários estão trabalhando sem botas e luvas.
Mesmo com o pé machucado, e com a casa afetada pela enchente, a servidora da área administrativa Leopoldina Martins ajuda a retirar a lama. Ela trabalha sem calcular os riscos à saúde. “É pouca gente e muito serviço”, calcula. Então, a escola tem prioridade por causa das crianças e da nossa comunidade”.
Outras preocupações incomodam os funcionários com a volta às aulas. Nas três salas onde ficam crianças de 6 anos de idade, a estrutura foi comprometida pela enchente.
A edificação de madeira também se afastou da parede de concreto. As águas também molharam documentos antigos de alunos. Segundo os funcionários da escola, muita coisa importante não pode ser salva porque faltou suporte para retirar os materiais antes da invasão das aulas.
Diante da calamidade que ficou a escola, o pedido é de socorro. “Estamos nos sentindo abandonados”, disse a coordenadora.
De acordo com o diretor de Gestão da Secretaria de Estado de Educação, Evaldo Viana, a Escola Elias Mansour já está recebendo a limpeza de toda estrutura. Garantiu também que as fossas sépticas serão todas desinfetadas até sábado.


