Comando do Exército também se explicou sobre morte
O corpo do cabo do Exército Brasileiro Euriberto Pereira Gomes foi sepultado no final da tarde de segunda-feira (16), com honras militares. O dia, para a corporação do 4º Batalhão de Infantaria de Selva, foi de consternação, assim como para a família do jovem de 20 anos, que morreu no domingo (15) com suspeita de leptospirose.
Euriberto deixou um filho de apenas 13 dias de vida. Ele havia acabado de receber a licença paternidade.
Segundo o comandante do 4º Batalhão de Infantaria de Selva, tenente coronel Medeiros Júnior, o militar trabalhava no setor administrativo e teve contato com as águas da enchente do Rio Acre, devido ao fato de a casa onde morava ter sido afetada.
O comandante afirma que o cabo não trabalhou pelo Exército no socorro às vítimas da alagação, como havia informado um familiar do militar. Ainda de acordo com o tenente coronel, não houve como ajudar Euriberto a tempo porque o Exército só tomou ciência dos fatos, quando ele já havia morrido.
“Nós só tivemos conhecimento do atendimento dele, do que aconteceu no sábado e no domingo infelizmente quando ele veio a óbito. A partir daí, demos todo apoio necessário à família e continuamos dando”, disse.
Segundo o comandante do 4º BIS, todos os militares que atuam nas enchentes são acompanhados. Eles passam por exames médicos e também recebem medicamentos. O cabo Euriberto Pereira, segundo colegas de corporação, trabalhou normalmente na semana passada, até sexta-feira, quando reclamou de fortes dores de cabeça.
O tio da vítima, Gilsomar Oliveira, durante o velório, questionou o fato de o jovem ter procurado várias unidades de saúde para tardiamente ser atendido. “Ele procurou a UPA da Sobral e não foi atendido. Daí veio ao Pronto Socorro e só na UPA do Segundo Distrito foi internado até domingo. Na madrugada, teve alta, voltou pra casa e começou a passar mal. Então ele retornou à Upa e morreu às 2 da tarde”, lamenta.
Na manhã desta terça-feira (17), o Secretário de Estado de Saúde, Armando Melo, em entrevista coletiva, falou sobre as medidas que estão sendo tomadas em resposta às denúncias de negligência.
Ele começou informando que exames excluíram a possibilidade de dengue. Agora, um laboratório em outro Estado deve esclarecer em até 20 dias, se o militar estava com leptospirose.
O secretário garantiu que o caso será apurado, através de um processo administrativo. Ele também contestou a informação de que a rede pública foi negligente.
“Ele foi à UPA da Baixada, deu entrada no procedimento e não aguardou o momento dele. Chegou às 16:37 e quando foi chamado às 17:10, não estava mais. Na UPA do Segundo Distrito, foi atendido, medicado, ficou internado. Quer dizer, o Estado deu a estrutura que precisava”, respondeu Melo.
Caso a investigação administrativa aponte inicialmente alguma imprudência, o secretário explicou que o médico, ou o servidor responsável, será afastado imediatamente. O resultado do processo de apuração, segundo a lei, tem o prazo de até 120 dias para ser concluído.
Segundo a Sesacre, em janeiro e fevereiro de 2014, foram confirmados 202 casos de leptospirose. Em 2015, nesse mesmo período foram constatados 53 casos da doença. Mesmo com redução, a secretaria ressaltou que o atendimento aos casos suspeitos de leptospirose será reforçado, principalmente com médicos e equipe de triagem.


