Volta para casa pode ser adiada
Na manhã desta quinta-feira (12), em apenas três horas, o nível do Rio Acre subiu 10 centímetros. A oscilação causa preocupação para a Defesa Civil e também para as famílias desabrigadas que veem distante o momento de retornar pra casa.
Às 6 da manhã desta quinta-feira o rio Acre atingiu a cota de 16 metros e 10 centímetros e num espaço de três horas, subiu 0,10 centímetros. Com esta marca as águas ainda estão 2 metros e 20 centímetros acima da cota de transbordamento.
Para a Defesa Civil Municipal, a subida pode ter sido influenciada pelas últimas chuvas. “A preocupação nossa é constante. Ainda estamos em março, mês onde 32% das enchentes ocorreram. A gente acredita que essa alta tenha sido causada pela chuva concentrada num período muito curto. Vamos monitorar e fazer leitura durante o dia de uma em uma hora”, disse o coordenador da Defesa Civil Municipal, Coronel George Santos.
No Parque de Exposições, principal abrigo de Rio Branco, estão 1.390 famílias. A oscilação do rio aumenta ainda mais a incerteza dessas pessoas de quando irão voltar pra casa.
Segundo a Defesa Civil, só é possível autorizar o retorno, quando o nível do rio estiver abaixo da cota de transbordamento, que é de 14 metros.
Para o autônomo Epaminondas da Silva, que está no abrigo com a mulher, três filhos e três netos, a volta para casa está ainda mais distante. A correnteza das águas no bairro Sobral destruiu a metade da moradia onde ele vive com a família.
“Mesmo que o rio baixe, não tenho para onde ir. As telhas da casa se foram, as paredes arriaram, e ficar aqui por muito tempo não dá”, lamenta.
Nos bairros onde a enchente recuou, os moradores trabalham com a expectativa de que as águas não retornem. O cobrador Jadson Fernandes já limpou a casa onde mora no bairro Seis de Agosto. Contudo, por precaução, a família ainda não retornou. No bairro, a água ainda está dentro de muitas casas.
Jadson só pretende trazer a família de volta, quando o rio oferecer condições seguras. “Ouvi dizer que o rio voltou a subir, então não dá pra voltar, e também as condições de higiene não permitem isso”, explica.


