A seca extrema deste ano sugere que o nível do rio Acre na capital pode atingir um recorde negativo até setembro. Nesta quinta-feira, a cota do rio caiu mais de três centímetros em 24 horas, registrando um nível de 1,36m.
“É perceptível que, desde abril, as cotas do rio estão bem abaixo em comparação com o mesmo período de anos anteriores. A previsão de o rio alcançar essa cota mínima, que não é o nosso desejo, está se antecipando”, afirmou o produtor rural, Sávio Correia Batista.
O nível registrado nesta quinta-feira (23) coloca o rio a apenas 11 centímetros da menor cota histórica, de 1,25m, registrada em outubro de 2022. De acordo com a Defesa Civil, a previsão de chuva para o período é mínima.
“Esperamos que chova cada vez mais nas cabeceiras para que o rio aumente o nível, não apenas nesta bacia, mas em todo o estado. Se a chuva que cair aqui não for em grande quantidade, ela apenas ajudará na agricultura e na limpeza da atmosfera, sem impacto significativo no nível do rio”, explicou o técnico da Defesa Civil, Rogério Oliveira.
Tanto o governo quanto a prefeitura de Rio Branco declararam situação de emergência para enfrentar as consequências do verão extremo, como a dificuldade no abastecimento de água, especialmente para comunidades rurais, e o transporte de produção ribeirinha devido à falta de navegabilidade do rio. Municípios como Porto Walter, Santa Rosa, Thaumaturgo e Jordão, que decretaram situação de calamidade pública, enfrentam insegurança alimentar, falta de combustível e dificuldades de trafegabilidade no rio.
Sávio, produtor rural da região, comenta sobre os desafios impostos pela seca: a falta de água não só compromete a manutenção da produção, mas também dificulta o transporte pelo rio, impactando diretamente o faturamento mensal, pois é necessário reduzir a carga para diminuir o peso das embarcações.
“A maior dificuldade é durante a madrugada, quando corremos o risco de bater em tocos ou pedras mais altas, ou até mesmo de sermos atacados por animais no rio. Durante o dia, a principal preocupação são as áreas secas que fazem a embarcação encalhar, exigindo manobras para seguir viagem”, relata.
Para minimizar os danos, a Defesa Civil afirma que os órgãos de comando, controle, prevenção e saúde têm se reunido semanalmente para tratar da situação de extrema seca no estado.
“Estamos enfrentando um problema de poluição atmosférica gravíssimo, cerca de seis vezes acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, o que traz sérios problemas para a população, especialmente para crianças, idosos e outros grupos vulneráveis. Nossa prioridade tem sido a segurança alimentar, o abastecimento de água, a saúde e o combate aos incêndios florestais”, concluiu Oliveira.
Matéria produzida pela repórter Wanessa Souza para a TV Gazeta.
