O Acre é há muito tempo uma rota para migrantes e imigrantes que, ao chegarem ao estado, decidem resistir e seguir em frente. Nas principais esquinas de Rio Branco, é comum os encontrarem em busca de novas oportunidades. Atualmente, a crise política na Venezuela tem intensificado o fluxo migratório na região, levando muitos a utilizarem o Acre como um corredor para outros destinos no Brasil.
“Já sabemos que, no estado de Roraima, o número de venezuelanos tentando entrar no Brasil está aumentando. Consequentemente, muitos acabam passando pelo estado. A tendência é que esse movimento continue crescendo nos próximos dias”, afirma o Secretário de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH), Wellington Chaves.
Os migrantes que transitam pelo Acre são, em grande parte, colombianos, haitianos e venezuelanos. A prefeitura de Rio Branco, através da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, realiza um trabalho de acolhimento dessas famílias. Inicialmente, havia apenas uma unidade de acolhimento na Baixada da Sobral. Agora, Rio Branco conta com mais uma Casa de Passagem, inaugurada na manhã desta quinta-feira no bairro Bosque, com 11 dormitórios e 9 banheiros, incluindo instalações adaptadas para pessoas com deficiência.
Cada Casa de Passagem do município tem capacidade para atender até 70 pessoas. O fluxo de migrantes nos abrigos varia diariamente, pois o Acre é, para muitos, apenas uma etapa na jornada rumo a outros estados brasileiros.
“Há dias em que chegam 30 pessoas, e em outros, 15. Depende do fluxo de entrada pelos municípios do interior do Acre. Assis Brasil é a principal porta de entrada, e muitos migrantes chegam até nós vindo dessa região”, explica Chaves.
“Sabemos que a crise migratória tem se intensificado no Brasil, e aqui no município estamos preparados para acolher essas pessoas que buscam ajuda. Hoje é um dia de grande alegria para nós, com a presença de órgãos fiscalizadores e toda a rede de apoio, ao entregarmos este novo espaço para os imigrantes que procuram abrigo em nosso município”, celebra o Diretor de Assistência Social, Ivan Ferreira,.
Natália Contreras, uma venezuelana que passou dois anos no Peru antes de chegar ao Brasil, está no país há dois meses e planeja seguir para o Rio Grande do Sul. Aqui, ela já iniciou o processo de interiorização, com o objetivo de proporcionar um futuro melhor para filhos. Natália destaca que nenhum outro país por onde passou após deixar a Venezuela a acolheu tão bem quanto o Brasil.
Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, o acolhimento dessas pessoas vai além da oferta de abrigo.
“Realizamos a abordagem, oferecemos acolhimento e, dentro desse processo, contamos com profissionais de assistência social, psicólogos e agentes sociais que acompanham os migrantes, levando-os até a Polícia Federal para emissão de documentos, além de fornecer suporte na área da saúde, quando necessário. Não se trata apenas de acolhimento, mas de um apoio integral para atender às necessidades dessas pessoas”, conclui Chaves.
Matéria produzida pela repórter Wanessa Souza para TV Gazeta.


