Uma morte pode ter ocorrido por falha no atendimento
O delegado Thiago Fernandes vai abrir novo inquérito para apurar irregularidades apontadas pelo depoimento de Renato Alberto Vilela Souza, preso ontem no posto de Saúde do São Francisco por exercer ilegalmente a Medicina no país.
Sem registro no CRM, o médico depôs hoje (11) na Delegacia da Terceira Regional. Afirmou que já havia “tirado plantão” no Pronto Socorro. Uma dessas ocasiões ocorreu na noite do revéillon. “Ele disse que trabalhou para alguns médicos e que ficou sozinho atendendo no plantão”, afirmou o delegado Fernandes.
“Inclusive”, detalha o delegado, “uma mulher teria morrido por falha no atendimento naquela ocasião”. Caso o inquérito aponte os responsáveis, o delegado afirmou que vão responder por homicídio tanto Renato Vilela quanto o médico plantonista para o qual ele estava trabalhando irregularmente.
O site AGazeta.Net procurou a assessoria da Saúde para que explicasse como um médico sem registro, que exerce ilegalmente a Medicina no país, estava atendendo pacientes dentro do Pronto Socorro.
Também precisa ser averiguada a informação repassada à autoridade policial de que na noite do revéillon todos os médicos, à exceção do médico irregular, estavam fora do ambiente de trabalho, onde deveriam estar prestando serviço.
A Direção do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco divulgou uma nota em que tenta justificar utilizando um único argumento burocrático: o de que o médico Renato Alberto Vilela de Souza não pertence aos quadros da unidade de saúde.
Diz a nota que o médico acusado de exercer Medicina ilegalmente “não tem nenhum vínculo empregatício com essa unidade de saúde pública”. A nota não entra no mérito da denúncia exposta pelo delegado: a de que o médico plantonista no revéillon pediu a Renato Vilela que o substituísse. E mais: a nota se omite em relação ao fato de que o médico estaria sozinho naquela noite, comprometendo a qualidade da prestação de serviço público.
Por enquanto, permanece a dúvida se no revéillon de 2015 o único médico plantonista no Pronto Socorro do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco era um médico acusado de exercer ilegalmente a Medicina no país. A direção do hospital nada diz sobre isso.


