O programa de extensão Samaúma Vivificante: O Bem Viver e a Educação Feminina De(s)colonial, do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), da Ufac, tem como proposta criar uma ponte entre os saberes acadêmicos e os conhecimentos de mulheres indígenas, negras, afro-indígenas e camponesas ou agroextrativistas do Acre.
O Absorvente Ecológico com objetivo de combater a pobreza menstrual, inclui oficinas para desmistificar a menstruação, abordando questões econômicas e socioculturais, voltado para mulheres do Acre em condições periféricas, é uma das ações realizadas pelo programa.
“A gente procura movimentos e mulheres notórias saber para junto com esses movimentos, e essas mulheres construirem políticas educacionais a partir dos seus próprios conhecimentos e suas próprias demandas. E esse projeto surgiu com uma proposta da Júlia Feitosa, que é uma militante histórica do Acre. Ela estava trabalhando dentro de um presídio feminino e uma reeducada disse pra ela que durante a menstruação tinha que usar miolo de pão porque não tinha absorvente. Então isso comoviu o coração da Júlia Feitosa e ela foi atrás desse conhecimento”, diz a coordenadora do programa, Marina Carvalho.
Foi então que a ideia se voltou para às mulheres do Complexo Habitacional Cidade do Povo. Na composição do material são várias camadas de tecido, cada um com uma funcionalidade diferente, para impermeabilizar e também trazer conforto durante o uso.
A coordenadora exemplifica todos os benefícios que essa mudança na higiene íntima da mulher pode trazer não só para as mulheres como também para o meio ambiente.
“Essas mulheres vão ter um protagonismo sobre a sua menstruação, não precisando comprar absorvente todo mês, um absorvente desse tem a duração média de cinco anos, não agride o meio ambiente, para de produzir lixo, ajuda a saúde da mulher também porque ele, diferente do absorvente usual, esse ajuda na prevenção de candidíase e outras doenças ginecológicas”, acrescenta Morais.
Cerca de 80 mulheres fazem parte do projeto, que é ofertado duas vezes na semana no Complexo Habitacional Cidade do Povo. Além disso, enquanto as mães executam a produção dos absorventes ecológicos, no prédio ao lado, às crianças recebem acolhimento com planejamento pedagogico, nutrição e muito afeto.
“E a gente também tem intenção de promover a economia solidária, de incentivar o empreendedorismo. Vai ter também palestras para ensinar, para ajudar, como elas podem construir uma cooperativa para a produção de absorventes ecológicos e assim elas também terem um lucro, uma economia solidária acontecendo dentro do projeto”, salienta a coordenadora.
De acordo com a coordenadora do Centro Comunitário do bairro Isalene Sampaio, diversos cursos são ofertados no espaço, e para a oficina de produção de absorventes ainda restam vagas para serem preenchidas.
“Sempre estamos funcionando com vários projetos, projetos de costura, outros projetos também de reforço escolar para as crianças, alfabetização de pessoas adultas. Então aqui existe vários cursos. Você que queira participar é só vir aqui nos procurar todas as quartas e sextas-feiras, nós estamos aqui a partir das 14h até as 5h e você pode estar vindo para fazer a sua inscrição e fazer parte também desses cursos”, finaliza Sampaio.
Matéria produzida em vídeo pela repórter Wanessa Souza para TV Gazeta


