A Ordem dos Advogados do Brasil no Acre (OAB/AC), em junho de 2023, relatou a prática do crime onde estelionatários se passam por advogados para dar golpes e enganar pessoas. Rodrigo Aiache, o presidente da OAB/AC, continua a relatar as situações, pois afirma que os suspeitos não foram presos.
A prática criminosa funciona da seguinte forma: uma pessoa se passa pelo advogado da vítima. Ela entra em contato com o cliente por meio de mensagens de texto, e em posse de informações do processo, faz a proposta de exploração financeira. O apelo fica sempre no momento em que ele informa que, para a vítima ter determinado proveito econômico envolvido na causa, deve realizar o depósito de um valor.
“Os estelionatários têm se passado por advogados e conversado com os clientes. Talvez busquem informações no site do TJ, Jus Brasil. Conversam com os clientes, dizendo que o cliente ganhou a ação, dizendo que ele tem direito de receber um valor. Acaba no final da conversa dizendo que para receber o valor, precisa pagar uma determinada taxa. Algumas pessoas têm caído nesse golpe”, conta o presidente da OAB.
Desde a primeira denúncia realizada em junho do ano passado, uma série de outros documentos foram enviados à Polícia Civil do Acre (PC/AC). O problema é que, como os criminosos não foram presos, casos de fraudes que envolvem o nome de advogados continuam a acontecer no estado.
Nos outros dois ofícios, também encaminhados à Delegacia Peral de Polícia Civil do Acre, o presidente da OAB volta a cobrar investigações. No texto do ofício do dia 4 de março de 2024, é citado que os golpes continuam ocorrendo e que a operação criminosa já é praticada há mais de dois anos. Além disso, é noticiado que a OAB já publicou mais de 75 alertas de segurança.
Em um novo documento, com data de 10 maio também deste ano, o Aiache reitera a necessidade urgente de atenção às recorrentes e crescentes ocorrências de golpes dessa natureza contra advogados no Acre. No ofício, consta ainda que estão sendo encaminhados novos boletins de ocorrência para que sejam centralizados ao inquérito policial.
A listagem atualizada dos advogados que tiveram os nomes usados pelos criminosos, já soma mais de 100 profissionais. O delegado Roberth Alencar confirma ter conhecimento do teor do golpe e garante que as investigações já começaram.
“Cada golpe, cada fraude, cada crime é apurado de forma específica. Nós temos que utilizar as técnicas de coletas de evidências digitais, no caso de rastreamento desse terminal de telefonia móvel, que muitas vezes é utilizado de forma obscura, para que dificulte a polícia a chegar até o autor. É necessário a polícia fazer um pedido ao juiz, que tem que julgar esse pedido para, posteriormente, a gente possa encaminhar a decisão para essas empresas fornecerem os dados para o rastreamento dos autores”, afirma o delegado Roberth Alencar.
A OAB continua a cobrar providências. O presidente da Ordem no Acre reafirma que, como a OAB é apenas uma entidade de classe, compete à Polícia Civil investigar, identificar e punir esses estelionatários. À eles, resta o registro do boletim de ocorrência e a emissão de um alerta de fraude no site institucional da Ordem.
“É importante que a população seja alertada acerca disso e que a Polícia Civil faça uma investigação séria e competente, que vá buscar as pessoas que estão praticando esse golpe contra a advocacia e contra os cidadãos do nosso estado”, declara Aiache.
Há nove meses foi lançada a campanha “Cuidado com o Golpe do Whatsapp”, afim de alertar e melhor orientar as pessoas sobre a prática criminosa. No folheto educativo, há dicas de como não cair em golpes via Whatsapp. Entre elas, desconfiar de números que não estão na agenda pessoal e não pagar nenhum taxa antes de confirmar a cobrança diretamente com o advogado contratado.
Matéria produzida em vídeo pela repórter Débora Ribeiro para a TV Gazeta


