Borges denunciou violência a que foi submetido
Conflito envolvendo invasores e a família de um vereador de Capixaba revela que projeto de assentamento Nova Promissão, criado no ano passado para as famílias expulsas da Bolívia, continua vazio.
E sem a presença do Incra no local e das famílias nos lotes, foi aberta a temporada de invasões. Na briga pelas áreas, plantações e barracos estão sendo destruídos. Foi informada até a presença de pessoas armadas.
O produtor rural Manoel Tavares Borges buscou ajuda na Defensoria Pública da União. Ele mostrou fotos da violência que sofreu no projeto de assentamento. Segundo ele, o vereador de Capixaba, identificado como Damião, juntamente com capangas, ameaçaram matar seu filho que estava na propriedade, destruíram as plantações e o barraco que construiu.
Durante a entrevista, Manoel revelou que não recebeu autorização do Incra para ocupar a terra. “Estou há 15 anos na lista do Instituto para ser beneficiado com a reforma agrária. Assim que descobri que lote estava vazio, resolvi ocupar”, descreveu.
Assim que Manoel construiu um barraco, conta ele, apareceu o vereador Damião exigindo a terra informando que o lote pertencia a seu irmão. E, para resolver rápido o problema, usou a violência.
O ouvidor agrário do Incra, Adaildo dos Santos, informou que todos os lotes do Nova Promissão, 140 no total, já têm famílias assentadas. A maioria veio da Bolívia. São famílias expulsas da área de fronteira.
Segundo o servidor, o produtor Manoel Tavares não tem direito de ficar no lote e nem o vereador de expulsar ninguém. E para evitar novos conflitos uma equipe do Incra vai visitar o assentamento.
“Quando uma terra de assentamento é invadida, o produtor deve nos procurar para que possamos tomar as providências. Ninguém pode agir por conta própria”, explicou.
O ouvidor explicou que as terras do assentamento estão sem as famílias porque a Caixa econômica federal ainda não começou a construir as habitações dos assentados. Existe um convênio entre o bando e o Incra, para a construção das casas.
Cada Unidade ficará em R$ 25 mil. “A Caixa pediu seis meses para começar as obras, e, ainda está no prazo. Assim que as habitações forem erguidas as famílias ficarão nos lotes e acabará essa ideia que o local não é habitado”, exemplificou.


