Um estudo realizado pelo Instituto Jones dos Santos Neves revelou que a taxa de pobreza nacional teve uma redução significativa, caindo de 31,6% em 2022 para 27,5% em 2023 e atingiu o menor nível desde o início da série histórica em 2012. No entanto, o Acre foi o único Estado a apresentar um aumento na taxa.
Em 2022, o número era de 51,1% e foi para 51,5% em 2023. Com isso, ficou entre os dois Estado com as maiores taxas de pobreza do país, ao lado do Maranhão.
De acordo com o estudo, o Amapá foi o Estado que apresentou a maior redução percentual na taxa de pobreza, indo de 47,8% em 2022 para 33% em 2023. Outros Estados que registraram quedas expressivas foram Roraima e Amazonas.
Essa diminuição foi atribuída a uma série de fatores, como a retomada das atividades econômicas após a pandemia, conforme apontado pelo economista Carlos Franco.
Franco ressaltou que a situação de pobreza no Brasil é histórica e complexa, pois é um reflexo das desigualdades que persistem ao longo do tempo. A dependência de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, é evidenciada com quase metade da população acreana beneficiária do programa.
“A situação de pobreza no Brasil é uma situação histórica, que se arrasta desde o processo de ocupação do território brasileiro. Então, é uma situação que não é possível de ser alterada em um espaço curto de tempo. Tanto é que nós estamos há séculos e não conseguimos reverter essa situação. Nós temos um país rico que tem uma população pobre, porque a riqueza é mal distribuída. Os níveis de pobreza reduzem, porque o governo aumentou a quantidade de pessoas que recebem bolsa família”, explica o economista.
Embora essas ações sejam necessárias no curto prazo, o economista pontuou a importância de políticas de médio e longo prazo que promovam a inclusão produtiva e a geração de renda sustentável para a população.
“Existe um número muito grande de pessoas que são dependentes do Bolsa Família. A situação ideal seria se a pobreza ou a extrema pobreza diminuíssem sem a necessidade do aumento do Bolsa Família. É uma ação justa, necessária que o governo faz, porque precisa de fato ter uma ação enérgica para reduzir a pobreza. Mas nós precisaríamos de políticas de médio e longo prazo que fossem incluindo essa população em atividades produtivas sem necessitar de programas de transferência do governo”, conclui.
A questão da qualificação da mão de obra e a necessidade de políticas eficazes que incentivem a atividade econômica local foram apontadas como fundamentais para a redução consistente da pobreza. O estudo destaca a importância de programas de qualificação e apoio ao empreendedorismo como medidas a serem adotadas no médio e longo prazo para enfrentar os desafios estruturais relacionados à pobreza no Brasil.
Matéria produzida em vídeo pela repórter Wanessa Souza para a TV Gazeta


