Vítimas eram maioria indígenas
A Promotoria Cumulativa de Manuel Urbano realizou nesta segunda-feira (2), em conjunto com a Polícia Civil, a “Operação Ajuricaba”, que teve como objetivo prender comerciantes locais que retinham documentos, cartões de benefício, cartões de crédito e magnético de clientes, a maioria indígenas.
A operação do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), coordenada pela Promotora de Justiça Patrícia Paula dos Santos, teve a participação de 120 policiais civis, entre eles os delegados Alcino Júnior (Rio Branco), Rêmullo Diniz (Sena Madureira) e Alex dos Santos (Feijó). O diretor de Polícia Civil, Roberth Alencar, chefiou a operação.
De acordo com informações do MPAC, durante a operação, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela justiça e 11 comerciantes foram presos em flagrante, sendo que até ao final da tarde quatro deles já haviam sido encaminhados à unidade prisional de Sena Madureira.
A denúncia feita por indígenas ao Ministério Público, de que vários comerciantes estabelecidos no município de Manuel Urbano estariam retendo cartões de benefícios, cartões magnéticos, cartões de crédito e documentos pessoais de pessoas que compravam em seus estabelecimentos, levou o MPAC, por meio do GAECCO (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), a fazer uma investigação dos fatos denunciados, tendo sido confirmada a prática criminosa.
De acordo com a Promotora de Justiça Patrícia Paula, no curso das investigações, foi constatado que os acusados, além de reter os cartões e documentos das mais de 130 vítimas, a maioria indígenas, ainda aproveitavam para fazer empréstimos em seus nomes, utilizando-se dos cartões bancários e documentos pessoais das vítimas.
Durante a operação, foram apreendidas três armas de fogo, munições, fogos de artifício, produtos contrabandeados, medicamentos, produtos com data de validade vencida e a quantia de R$ 55 mil.
Segundo o delegado Rêmullo César, a operação foi muito bem planejada, o que garantiu seu êxito. ” A operação foi um sucesso, pois dos 12 alvos, 11 foram presos em flagrante e apreendida grande quantidade de mercadorias, sendo necessário o uso de um caminhão para o transporte”, enfatizou.
Patrícia Paula elogiou o trabalho de todos os envolvidos na operação. “É uma satisfação realizar esta operação, que visa proteger pessoas vulneráveis”, afirmou a Promotora de Justiça, acrescentando que a ação resgata a presença do Estado no município e a confiança da população nas instituições públicas.
A promotora informou que as vítimas já haviam começado a ser ouvidas e revelou que tinha notícia de que, com a divulgação da operação, muitos indígenas que moram em aldeias distantes já estariam se dirigindo à cidade para prestar depoimento. Segundo ela, a operação poderá se estender até à próxima sexta-feira (6).


