Raimunda Silva todas as manhãs vai para a janela olhar a mangueira ligada à caixa d’água que fica na frente da casa. É à espera pela chegada da água. Nessa rua do bairro Estação Experimental, o abastecimento é precário, os moradores ficam até três dias sem receber água do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb).
“Para eu ter água dentro de casa é preciso eu carregar, com os baldes, da caixa. Não sobe. A água é bem fraquinha e eu carrego com os baldes. E eu vou economizando, porque sei lá quando vai vir água”, afirma Raimundo Silva.
Quando a água chega é tão fraca que Silva precisa colocar uma caixa no solo para ter água em casa. Quando o líquido chega começa outro trabalho: levar baldes para dentro de casa. Mesmo com grandes intervalos de dias sem água tratada e só chegando ao quintal, a dona de casa vai pagar mais caro.
Em dezembro do ano passado, o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) foi autorizado por uma resolução da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Acre (Ageac) a aumentar o valor da tarifa de água em 36,29%. As primeiras faturas com o aumento já começaram a chegar nas residências e comércios nesta semana.
Além do aumento na tarifa, quem pagava o valor mínimo, que era de 110 metros cúbicos, vai ter que pagar 115. Segundo o vereador Samir Bestene (PP), o Saerb não acrescentou apenas 36% de aumento. Algumas contas chegam aos consumidores com 100% de reajuste.
“Alguns moradores têm me procurado e o reajuste tem ultrapassado esse valor, chegando até a mais de 100%. Procurei o Enoque, para ele rever a situação e procurar saber porque houve todo esse aumento. Vamos cobrar que o valor correto”, destaca Bestene.
O vereador levou várias contas que foram entregues pelos consumidores e apresentou na sessão desta terça-feira (20). Uma delas mostra que o valor cobrado em janeiro era de R$ 97,47 e passou para R$ 199,26. Para o parlamentar, o Saerb está tentando arrecadar mais de quem paga a conta para compensar a inadimplência que chega a mais de 60%.
Há anos o Saerb reclama que não consegue equilibrar as contas, por conta da inadimplência, pois muita gente deixou de pagar a conta. Agora, quem vinha quitando o débito vai deixar de fazer, porque o valor ficou muito alto.
Se já era difícil cobrar com o valor do ano passado por causa da irregularidade no abastecimento, vai ficar mais complicado a partir de agora com o reajuste de 100%. O vereador disse que já procurou a direção do órgão para que aumente a tarifa em apenas 36,29%, como foi determinado pela Ageac, mas não obteve resposta. A TV Gazeta também procurou a direção e, até o momento, só tivemos o silêncio.
Matéria produzida em vídeo pelo repórter Adailson Oliveira para a TV Gazeta


