O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), apresentou para a TV GAZETA os números atualizados de casos de feminicídio no Acre em 2023. Há dois anos, a instituição disponibiliza informações detalhadas por meio do “Feminicidômetro” localizado na página do MPAC.
De acordo com a procuradora de Justiça Criminal Patrícia Rêgo, a ferramenta é importante para dar transparência aos dados da violência de gênero, destacando o feminicídio.
“Nós sabemos que esse é um crime gravíssimo. Embora o Acre esteja caminhando bem no sentido de combate e diminuição do índice, ele ainda ostenta os altos níveis. Nós temos uma taxa de de feminicídio muito acima da média nacional que já é alta”, diz a procuradora Patrícia Rêgo.
De acordo com o MP, em 2021 o Acre ocupava o primeiro lugar nas taxas de feminicídio no país, com 13 vítimas, o triplo da taxa nacional. Já em 2022, o número reduziu para 10 casos, além disso, em 2023 registrou 9 casos, levando o estado a terceira posição no ranking nacional. A procuradora espera que as taxas se mantenham até o término deste ano.
“Essa ferramenta traz informações muito importantes para os familiares das vítimas de feminicídio, para as autoridades e órgãos públicos buscarem estratégias e políticas públicas mais eficazes que visem o combate a esse crime, e também para o público e a imprensa de forma geral”, afirma procuradora
Segundo dados do MP, desde 2018 até o presente momento, mesmo que timidamente, os casos estão reduzindo. Mas, a somatória de todos esses casos resulta ainda em 69 vítimas desde 2018, e 113 órfãos do feminicídio.
“Nós não estamos falando de números, estamos falando de vidas humanas de mulheres que morrem em casa, no seu lar. Em sua maioria, em torno de 98%, são mortas por seus companheiros, por seus namorados. Essas mulheres morrem na maioria das vezes no horário do descanso, a noite, de madrugada, geralmente com utensílios que são domésticos, como facas armas brancas. Então o feminicídio não é um crime que acontece na rua por estranhos, é um crime que ocorre dentro do lar”, diz Patrícia Rêgo
Os índices mostram que grande parte das vítimas estão na faixa etária de 20 a 24 anos, 83% delas de cor preta ou parda e 80% de baixa renda. O Ministério Público destaca ainda o grande percentual de mortes de mulheres indígenas no município de Feijó, totalizando 40%.
“Que a gente possa denunciar essas agressões, tem informação importante nesses dados do feminicídio, de que apenas 10% das mulheres que morreram tinham medida protetiva, então percebemos que a medida é importante para resguardar a vida da mulher. Se voce conhece alguem que sofre violência doméstica, se intrometa, esse não é um assunto privado, é um crime que gera morte”, diz procuradora
Canais de ajuda
Devemos ressaltar ainda que os casos de violência doméstica não se limitam a agressão física, ela pode ser identificada na forma de violência psicológica, violência patrimonial e violência moral. Sendo assim, mulheres que sofrem alguma das violências citadas devem procurar apoio e orientação nos canais indicados.
Procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – (DEAM), (68) 3221-4799 ou a Delegacia mais próxima, entrar em contato com o disque Central de atendimento à mulher 180, 190 da Polícia Militar do Acre (PM-AC), ou celular e whatsapp do Centro de Atendimento à Vítima (CAV) 68 99993-4701, Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), 68 99605-0657 e também Casa Rosa Mulher 68 3221-0826.
Matéria feita em vídeo pela repórter Wanessa Sousa para a TV GAZETA


