Questões de raça como defesa de direitos
No dia da Consciência Negra, a Secretaria de Direitos Humanos (Sejudh) presta contas das políticas públicas voltadas à população afro descendente. Para os gestores, houve avanço na luta pelo fim do preconceito, mas ainda há muito que alcançar.
De acordo com o último senso do IBGE, mais de 70% da população do Acre se declara negra ou parda. A estatística impulsionou o governo do estado a criar uma Divisão de Promoção da Igualdade Racial, organismo ligado à Secretaria de Direitos Humanos.
Segundo o coordenador da divisão, José Arimatéia, várias atividades estão sendo promovidas desde a semana passada para marcar o Dia da Consciência Negra. As ações estão focadas em apresentar uma prestação de contas das políticas públicas voltadas aos negros.
“Hoje, órgãos públicos do Estado e Município fazem atividades em alusão ao dia 20 de novembro, o que há 10 anos não se comentava. Então acho que podemos sim, com cuidados para não baixar a guarda, dizer que estamos tendo a questão da consciência negra como pauta geral”, comentou o coordenador.
O dia de reflexão, data da morte do líder quilombola Zumbi dos Palmares, também exige um balanço do que a população negra ainda precisa alcançar. “São dois fatores, primeiro o governo que precisa obter dados, localizar esse povo, saber o que ele faz, e segundo a sociedade que precisa apontar para o poder público onde estão os focos de intolerância ou preconceito”, explica Arimatéia.
A partir de janeiro de 2010, o Acre passou a receber imigrantes africanos, principalmente vindos do Haiti. No início, a preocupação das entidades e órgãos ligados aos Direitos Humanos era com possíveis conflitos e preconceito dos brasileiros contra os estrangeiros.
Mas, segundo a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, durante esses quase cinco anos, os imigrantes relatam que são bem recebidos e de acordo com a Sejudh, não foi preciso intervir em nenhum caso de discriminação racial.
“A luta contra o preconceito é diária, tanto eu quanto os imigrantes passam por isso todos os dias, por olhar, às vezes de forma velada, mas acreditamos que um dia isso vai mudar”, completa José Arimatéia.


