Muitas academias estão abandonadas no interior
O programa Academia de Saúde do Governo Federal, criado em 2011, pode ser um dos maiores exemplos de má gestão pública nas prefeituras do Acre. De 2012 a julho desse ano, todos os municípios do Estado receberam recursos para construir módulos que deveriam ser usados para oferecer instrumentos para práticas esportivas e lazer. Ao todo foram R$ 4 milhões do programa academia de saúde.
Percorremos a metade dos municípios do Estado e descobrimos que, apesar do recebimento do dinheiro, para a construção dos módulos, eles não funcionam. Em Assis Brasil, na tríplice fronteira, foram repassados recursos para dois módulos.
No primeiro, o prédio está pronto, mas está fechado, sem uso. Os equipamentos para exercícios físicos, que fazem parte do programa, estão quebrados. O outro módulo está em obras.
O município recebeu nesses três anos R$ 224 mil para o projeto que ainda não funcionou. O intrigante é que as academias foram construídas em frente ao prédio onde fica o ministério público estadual.
Voltando pela BR-317, em Brasileia o problema é igual. Logo na primeira academia, percebe-se o desprezo com o programa. O prédio não foi concluído. Fica no Parque Centenário, uma das atrações turísticas da cidade.
Assim como o módulo abandonado está a sede da administração que fica ao lado. Os equipamentos de ginástica, de outro projeto, estão todos destruídos. Outro módulo fica próximo a um posto de saúde. A obra também está parada, apesar de a prefeitura ter recebido os recursos.
O único módulo com a construção completa está fechado e não oferece atividades para a comunidade. Ele fica numa das áreas mais carentes do município. Ele ajudaria crianças, jovens e idosos em programas de reforço para atividades físicas, mas serve apenas como referência de má gestão.
A prefeitura de Brasileia recebeu, só este ano, R$ 312 mil para o programa de academias. Por isso, está construindo mais uma, que já deveria estar pronta desde o mês de abril.
Na cidade vizinha, Epitaciolândia, foi construída apenas uma academia. Também está fechada, cheia de sujeira. O prédio é novo e já apresenta rachaduras. O local onde foi construída fica em uma praça, onde já existem equipamentos de exercícios físicos. O prédio é apenas uma obra sem utilidade.
Já Xapuri recebeu R$ 160 mil para duas academias. Obras não terminadas. Um dos prédios fica ao lado do ginásio coberto do município. O local mais conhecido para práticas esportivas.
Em Capixaba, a situação dos módulos é mais grave ainda. Eles estão abandonados. Em um deles, o cimento está caindo. Os pilares estão se deteriorando. O outro módulo fica em frente ao fórum da cidade. O que foi construído começa a se perder. O destelhamento faz com a água se acumule nas paredes.
Regras não cumpridas
Existem três modalidades do projeto academia de saúde. O programa: Básico, intermediário e ampliado. Dependendo do projeto que a prefeitura consiga aprovar recebe R$ 80.000,00, R$ 100.000,00 ou R$ 180.000,00, pagos em três parcelas.
De acordo com que vai construindo, a prefeitura vai recebendo o dinheiro. Se a obra parar, o dinheiro não chega.
Os projetos foram elaborados pela AMAC, a Associação dos Municípios do Acre. O diretor Marcus Frederik, foi enfático ao reclamar da ação dos prefeitos para fazer o programa funcionar. Quando a obra está pronta e começam as atividades, o Ministério da Saúde envia recursos, e, além disso, o gestor pode fazer convênios.
O problema é que muitos prefeitos nem chegaram a concluir as obras e o que foi levantado pode se perder.
Um exemplo é Acrelândia. Parte do material usado na obra está se perdendo, porque a empresa parou de trabalhar de uma hora para outra.
Em Bujari, a academia começou a ser levantada ao lado da prefeitura. O prefeito nem chegou a fazer a cobertura do prédio e parte da parede começa a cair.
Todos os dias quando chega e sai, o prefeito dá de frente com uma das vergonhas da cidade.Em Senador Guiomard, o prédio de uma academia intermediária está concluído, mas nenhum serviço é oferecido à comunidade.
Em Porto Acre, o módulo foi tomado pelo mato. Na segunda academia, construída numa área rural, o local é alagadiço. O caso já foi apurado e está em um relatório de auditoria do Ministério da Saúde que está pedindo a devolução dos recursos.
Até na Capital, Rio Branco, existem falhas. A prefeitura não seguiu o mesmo modelo aplicado nos municípios. O módulo básico, que custou R$ 80 mil, é apenas uma cobertura, com alguns equipamentos ao lado.
O outro módulo de R$ 100 mil também tem uma engenharia diferente. Ninguém sabe se essa nova estrutura foi uma forma de gastar menos dinheiro. A unidade ainda nem foi inaugurada e já está suja.
Como não houve fiscalização para o programa, as Academias de Saúde serviram apenas para captar recursos e mostrar como alguns projetos do governo federal servem para onerar os cofres públicos. E para nada mais.
Vejas às Fotos
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