Sem fiscalização na fronteira, situação está fora do controle
Sem nenhuma vigilância, a fronteira com o Peru continua aberta, e os imigrantes que chegam do Haiti e dos países africanos entram livremente sem fazer nenhum exame, mesmo com a ameaça do ebola.
A denúncia não é nova, nossa equipe de reportagem já mostrou há um mês, a alfândega em Assis Brasil sem nenhum funcionário da Anvisa ou da secretaria de saúde do estado.
Os imigrantes apenas pegam um visto na Policia Federal embarcam num taxi e cortam os 350 quilômetros da BR317 até chegar em Rio Branco, onde são atendidos num abrigo mantido pelos governos federal e estadual.
Mesmo no abrigo só recebem atenção médica se apresentarem algum quadro de doença. Caso contrário, vão entrar no país sem nenhuma restrição. Outro ponto grave registrado: um senegalês informou que, dependendo dos recursos do imigrante dá para ele chegar ao Brasil e 10 dias.
O Ministério da Saúde informou que as viagens duram mais de 30 dias, e se a pessoa estivesse com o vírus do ebola, nem conseguiria chegar aqui, já que as manifestações dos sintomas aparecem depois dos 21 dias.
A informação do senegalês põe por terra o discurso do Governo Federal e da secretaria de Estado de Saúde, informando que está tudo controlado.
Rondônia assustada
Nas vilas rondonienses de Extrema e Nova Califórnia, na divisa do Acre com Rondônia, os moradores estão assustados e pedindo às autoridades do Acre que tomem providências.
As duas localidades sofrem com a falta de informações. Apesar de somarem mais de 12 mil moradores, ainda não chegou na região o serviço da telefonia celular. O comerciante Porfírio Bento informou que é preciso passar mais informações sobre a ebola e o fluxo de migração.
“Desse jeito vamos viver com medo. É preciso barrar os doentes na fronteira, mas, para isso, o governo do Acre precisa ficar na fronteira”, revelou. O governo de Rondônia informou que colocaria uma barreira na divisa para impedir que imigrantes africanos pudessem entrar no Estado com sintomas da doença.
Na prática, não fez nada. Nem a direção do hospital da vila recebeu instruções de como lidar com o ebola que já matou mais de 4.000 pessoas.
Em média, diariamente, 50 pessoas vindas do Haiti, república Dominicana e outros países africanos, principalmente do Senegal, passam pela fronteira. No abrigo, em Rio Branco, nesta segunda-feira, estão mais de 600 refugiados. São quase 200 africanos, que apesar de não haver nem um acordo com o Brasil, estão entrando de forma ilegal e aceitos como refugiados. O Senegal é um dos países apontados como de risco do ebola.
O Ministério da Saúde e a secretaria de Estado de Saúde do Acre alegam que está tudo controlado, mesmo sabendo que não existe vigilância na fronteira. Os técnicos começam a receber equipamentos e treinamento, caso venha a surgir algum suspeito da doença, mas o intrigante é que na área de fronteira, em Assis Brasil, em especial, será o último local a receber o treinamento, justamente a área de entrada das pessoas vindas de área de risco.
O problema é que os técnicos só vão descobrir algum caso quando ele estiver em Rio Branco, depois de percorrer mais de 300 quilômetros da fronteira, ou então, quando chegar em outras regiões do país.


